Sangha Virtual

 Estudos Budistas

Tradi�‹o do Ven. Thich Nhat Hanh

 

Concentrando e liberando a mente

 

Hoje, continuaremos com o dŽcimo primeiro e o dŽcimo segundo exerc’cios de respira�‹o consciente, propostos pelo Buda no Discurso sobre a Plena Consci�ncia da Respira�‹o. O dŽcimo primeiro Ž: "Concentrando a mente, eu inspiro e expiro." O dŽcimo segundo Ž: "Liberando a mente, eu inspiro e expiro." Por favor, lembre-se que a mente significa a forma�‹o mental que est‡ presente em nossa consci�ncia mental. Se Ž uma forma�‹o mental saud‡vel, ent‹o, concentrando-se nela, podemos desenvolv�-la para nossa maior alegria e felicidade. Se for uma forma�‹o mental negativa - o medo, a raiva - a concentra�‹o e a sua aceita�‹o nos trar‹o algum al’vio e nos ajudar‹o a olhar profundamente para ela. Olhar profundamente pode nos trazer uma percep�‹o libertadora.

 

Transforma�‹o significa transforma�‹o na base (ashraya-paravritti), que Ž verdadeira transforma�‹o e n‹o apenas um al’vio moment‰neo. Para que a transforma�‹o na base aconte�a, voc� precisa praticar profundamente. Somente observando profundamente a natureza do nosso sofrimento, podemos descobrir suas causas e identificar as fontes dos nutrientes que a originaram. Depois de termos praticado por algum tempo, veremos que a transforma�‹o sempre acontece no fundo da nossa consci�ncia. Nossa consci�ncia armazenadora Ž como o suporte ou a base para nossa consci�ncia - da mesma forma que as pernas de mesa s‹o um suporte para a mesa. Ashraya significa apoio, ou base, e paravritti significa transforma�‹o - transforma�‹o na base.

 

Olhando profundamente, ganhamos insights que podem nos libertar e transformar nossas afli�›es em sua forma de sementes. A forma�‹o mental se manifesta no n’vel da mente, mas a semente da forma�‹o mental permanece sempre na consci�ncia armazenadora. Se soubermos reconhecer a presen�a da forma�‹o mental, abra�‡-la, acalm‡-la e examin‡-la profundamente, obteremos insight. Se uma semente de raiva se manifesta e uma semente de aten�‹o plena tambŽm se manifesta, a energia da aten�‹o plena envolve a energia da raiva. Ela reconhece, abra�a, acalma e olha profundamente.

 

Transforma�‹o e emancipa�‹o s— podem ocorrer quando o insight Ž alcan�ado. O insight Ž alcan�ado atravŽs das pr‡ticas de parar e olhar profundamente. A medita�‹o Ž composta de dois elementos. O primeiro Ž shamatha - parar, concentrar e acalmar. Se voc� for ˆ China, ver‡ este sinal nas estradas - _. Significa "Pare". Sugiro que coloque este sinal em algum lugar da sua casa. Diante dele, voc� pode praticar a respira�‹o consciente por cinco ou dez minutos, para que possa perceber que parou. O segundo elemento da medita�‹o Ž vipashyana. Significa olhar profundo, investiga�‹o e observa�‹o. ƒ dif’cil olhar profundamente sem parar. Se voc� Ž capaz de olhar profundamente, significa que Ž capaz de parar.

 

Como j‡ sabemos, temos que lidar com a energia que est‡ sempre nos empurrando e n‹o nos permitindo parar. Eu descrevi nossa energia de h‡bito como um cavalo fugitivo. O Buda prop™s parar a energia de h‡bito com aten�‹o plena. Toda vez que estamos inquietos - n‹o importa a hora do dia ou o que estamos fazendo - praticamos a respira�‹o consciente para reconhecer nossa energia de h‡bito. Dizemos: ÒOl‡, energia de h‡bito. Eu sei que voc� est‡ presente. "N—s sorrimos. Vasana Ž o nome dessa energia. Como eu j‡ mencionei, todos n—s recebemos essa energia de h‡bito de nossos pais e ancestrais, que foram incapazes de transform‡-la. ƒ por isso que foi transmitida para n—s. Temos que aprender a lidar com ela, se n‹o aprendermos como transform‡-la, n—s a transmitiremos aos nossos filhos.

 

Todo ver‹o em Plum Village, celebramos o Dia de A�‹o de Gra�as do nosso jeito. Grupos de estudantes de diferentes pa’ses se reœnem, cozinham seu pr—prio prato nacional e o colocam no altar de seus ancestrais. Se h‡ pessoas de vinte e cinco pa’ses diferentes praticando, fazemos vinte e cinco pratos diferentes. Cada grupo se reœne e discute que tipo de prato vai oferecer. Os alunos preparam seus pratos atentamente, tocando seus antepassados __e a cultura de sua na�‹o.

 

Uma vez, um jovem americano foi comprar provis›es para a refei�‹o em St. Foy la Grande. Ele estivera em Plum Village por tr�s semanas e sentia-se maravilhoso - muito pac’fico e alegre. Cercado por uma Sangha praticante, ele praticava medita�‹o andando, sentada e o trabalho consciente. Sozinho em St. Foy la Grande, ele de repente se sentiu com pressa. Confiando em sua pr‡tica de tr�s semanas de respira�‹o e caminhada conscientes, ele foi capaz de identificar as energias negativas da inquieta�‹o e da pressa. Sua aten�‹o plena era suficiente para ele voltar a respirar. Ele inspirou e expirou, sorrindo e disse: "Ol‡, mam‹e. Eu sei que voc� est‡ presente."

 

Ele percebeu que essa energia de inquietude vinha de sua m‹e. Sempre inquieta e apressada, transmitira essa energia para ele. Durante as tr�s semanas de pr‡tica em Upper Hamlet, ele havia sido cercado por uma poderosa Sangha, e a semente de inquieta�‹o n‹o teve a chance de emergir. Somente quando ele se aventurou no mercado sozinho, o ambiente tocou essa semente nele e permitiu que ela se manifestasse. Depois que ele reconheceu essa energia com a respira�‹o consciente, sua inquieta�‹o desapareceu e retornou ˆ sua forma de semente. A partir de ent‹o, ele continuou a pr‡tica da respira�‹o consciente, mantendo sua paz e alegria.

 

(Do livro ÒThe Path of EmancipationÓÐ Thich Nhat Hanh)

(Traduzido por Leonardo Dobbin)

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