Sangha
Virtual
Estudos Budistas
Tradi�‹o
do Ven. Thich Nhat Hanh
Consci�ncia dos quatro elementos no corpo
De acordo com o Discurso sobre os Quatro Estabelecimentos da Aten�‹o Plena, podemos come�ar a examinar nossos corpos e reconhecer os elementos b‡sicos que ajudaram a tornar nosso corpo poss’vel. ÒInspirando, eu estou ciente do elemento terra dentro de mim mesmo. Expirando, eu sorrio para o elemento terra dentro de mimÓ. Existem quatro elementos b‡sicos (mahahhuta): terra, fogo, ‡gua e ar.
O elemento terra Ž o elemento de solidez em n—s. Se reconhecermos o elemento terra dentro de n—s, tambŽm podemos reconhecer o elemento terra fora do nosso corpo. N—s sabemos que ambos pertencem ˆ terra. H‡ uma troca constante entre o elemento terra dentro e fora de n—s. Acontece em cada segundo da nossa vida di‡ria.
"Inspirando, estou ciente do elemento fogo dentro do meu corpo". Isso Ž o calor. Sabemos que a vida Ž feita de combust‹o. Inspiramos ar e usamos o oxig�nio para a combust‹o. Esse processo acontece a cada segundo, a cada fra�‹o de segundo dentro de n—s. Gra�as a este processo, a vida Ž poss’vel, o nascimento e a morte est‹o ocorrendo simultaneamente em cada momento. Sabemos que as cŽlulas do nosso corpo continuam a morrer e a continuam a nascer, se n‹o h‡ morte, n‹o pode haver nascimento. Podemos adquirir o insight que a morte contŽm nascimento e vida, e a vida contŽm a morte. Se voc� tira a morte da vida, a vida entra em colapso, se voc� tirar a vida da morte, a morte entrar‡ em colapso.
ƒ como o exemplo da flor, da nuvem e do sol - olhando a flor podemos ver a nuvem e o sol. Temos que nos treinar para olhar dessa maneira. Estamos acostumados a uma maneira dualista de olhar. N—s pensamos que a morte Ž o inimigo da vida. Quando praticamos olhar profundamente (e n‹o apenas os praticantes meditam olhando profundamente, os cientistas tambŽm praticam olhar profundamente, mas com diferentes tipos de instrumentos), vemos que a vida leva a morte para dentro de si mesma, e a morte carrega a vida dentro de si. Sem um, o outro n‹o Ž poss’vel. Seria ing�nuo pensar que s— poder’amos tomar uma metade e n‹o a outra. Observando os elementos dentro de n—s, sabemos que o nascimento e a morte se inter-relacionam; eles fazem um ao outro poss’vel. Come�amos a ver algo maravilhoso que nunca vimos antes.
AtravŽs do olhar em profundidade, podemos dissipar nosso medo, angœstia e desespero. Sabemos que o medo, a angœstia e o desespero s— podem florescer na ignor‰ncia. ƒ como esse l‡pis. Pensamos que este extremo Ž o esquerdo e o outro o direito. Ës vezes queremos apenas o lado esquerdo e n‹o o direito.
Politicamente, voc� pode preferir a esquerda, e voc� pode querer eliminar a direita, mas Ž poss’vel ter apenas a esquerda? Voc� quer eliminar o lado direito, ent‹o voc� pega uma faca e corta o l‡pis. Mas assim que voc� corta, essa parte se torna o lado direito. Enquanto a esquerda permanecer, a direita tambŽm permanecer‡. Somos pegos em pares de opostos, e temos que nos treinar para olhar de uma maneira n‹o-dualista se quisermos que a realidade se revele para n—s.
ÒInspirando, vejo o elemento ‡gua em mim. Expirando, sorrio para o elemento ‡gua em mimÓ. As palavras dentro e fora tambŽm s‹o um par de opostos. Eu escrevi um livro chamado ÒThe Sun My HeartÓ. Eu me inspirei na imagem do sol como meu segundo cora�‹o.
Eu costumava pensar que eu s— tinha um cora�‹o dentro do meu corpo. Se ele parasse de funcionar, eu morreria imediatamente. Mas se meu outro cora�‹o, o sol, desmoronasse, eu tambŽm morreria rapidamente. Meu segundo cora�‹o est‡ fora do meu corpo. Eu poderia pensar que meus pulm›es est‹o dentro do meu corpo, mas as montanhas e as florestas ao meu redor tambŽm s‹o meus pulm›es. Se elas n‹o respirarem, n‹o haver‡ oxig�nio para eu respirar. Eu tenho pulm›es dentro do meu corpo e fora do meu corpo.
A ideia do corpo desaparece se voc� reconhecer os quatro elementos dentro e fora de voc�. A ideia do eu, identificada com o corpo, tambŽm desaparecer‡. Voc� precisa apenas olhar profundamente para que suas ilus›es sejam dissipadas. N—s tocamos o reino do n‹o-nascimento e n‹o-morte. O eu s— Ž poss’vel com o n‹o-eu.
(Do livro ÒThe Path of EmancipationÓÐ Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
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