Quarta, 27 de Junho de 2007

A Fala Correta

Em julho procure praticar esse passo do Caminho Óctuplo: a Fala Correta.

Resumidamente a Fala Correta pode ser explicada como:

(1) Falar sempre a verdade.
(2) Não falar coisas contraditórias deliberadamente.
(3) Não falar com crueldade.
(4) Não exagerar nem retocar os fatos.

Nesse texto (clique aqui) o Thay nos explica em detalhes essa prática através de seu insight privilegiado. Depois de ler divida seu insight e suas dúvidas sobre o texto em nosso blog. Basta clicar aqui.

Julgamentos

Nos manda nosso amigo José Jorge essa mensagem...

Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco.
Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
Os amigos disseram ao velho:
- Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado!
E o velho respondeu:
- Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês.
As pessoas riram do velho.
Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou. Ele havia fugido para a floresta.
E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
-Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma benção.
E o velho disse:
-Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma benção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta...
O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas.
As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:
- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas.
E o velho disse:
- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto.
Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção...
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.
E muitos que foram pra guerra, morreram.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
-Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma benção.
...

Conclusão:

Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas e consequentemente a erros que poderão ser irreversíveis para a vida. Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina, outro começa, quando uma porta se fecha outra se abre.

Plena atenção é observar...

Verdadeira Felicidade

Primeiramente, não deixe um desejo por riqueza deixar que você seja tão consumido por seu trabalho de tal forma que você não tenha felicidade para si e para sua família no momento presente. Felicidade é o mais importante. Um olhar cheio de entendimento, um sorriso de aceitação, uma palavra carinhosa, uma refeição dividida com calor e consciência são as coisas que criam felicidade no momento presente. Nutrindo consciência no momento presente, você pode evitar causar sofrimento a você e àqueles ao seu redor. O modo como olha para os outros, seu sorriso, seus pequenos atos de carinho podem criar felicidade. A verdadeira felicidade não depende de riqueza ou fama.

- Thich Nhat Hanh -

Perguntas Freqüentes

Como o Budismo vê o divórcio? Pela minha formação católica, entendo que o matrimônio é indissolúvel e que o divórcio é uma falta grave.

MONGE GENSHÔ: Se o divórcio for admitido numa sociedade, ele será visto com naturalidade pelos budistas. Mesmo a união livre o será. O que sempre será mal visto é a infração do preceito ''Não usar da sua energia sexual de modo a causar sofrimento aos outros''(onde se inclui o ato de iludir os sentimentos de alguém).

As posições budistas são muito diferentes da ótica cristã sobre o tema do matrimônio. Em primeiro lugar, não há um sacramento, uma ligação feita por uma divindade; em segundo lugar, o Budismo adapta-se aos costumes da sociedade onde vive. Assim, é possível que um budista, em um país muçulmano,tenha várias esposas, e também, como ocorre em países do centro da Ásia, que uma mulher tenha vários maridos (androgamia, que ocorre normalmente quando irmãos partilham uma esposa por serem pobres para arcar com o dote).

Monge Gensho (mongegensho@terra.com.br) é monge Zen Budista da Escola Soto Zen e dirige uma Sangha em Florianópolis